A todos os motoristas TVDE em Portugal,
Esta carta é para vós.
É para quem acorda cedo, trabalha até tarde, enfrenta trânsito, desgaste, custos crescentes, pressão constante e, muitas vezes, termina o dia com a sensação de que trabalhou mais do que aquilo que verdadeiramente recebeu.
É para quem vive na estrada. É para quem sustenta a família. É para quem tenta manter a dignidade num setor que exige muito, mas que nem sempre devolve previsibilidade, equilíbrio ou reconhecimento.
O ProTVDE dirige-vos esta mensagem com respeito e frontalidade, não para alimentar ilusões, não para criar promessas fáceis, não para gerar conflito vazio, mas para afirmar uma verdade simples:
O setor não pode continuar a normalizar aquilo que já se tornou excessivo, injusto ou economicamente insustentável.
Durante demasiado tempo, muitos profissionais habituaram-se a aceitar como rotina jornadas longas, rendimentos incertos, desgaste elevado, custos acumulados e falta de clareza sobre aquilo que realmente sobra no final do mês.
E esse é um dos maiores perigos do setor, quando a dificuldade deixa de chocar e passa a ser tratada como normal.
Um motorista TVDE não é apenas alguém que conduz. É alguém que suporta a operação real da mobilidade. É alguém que assegura presença, disponibilidade, segurança, esforço e resposta diária para que o serviço exista.
Por isso, importa dizer com clareza:
O motorista não pode ser tratado como peça descartável do sistema.
Sem motoristas, não há serviço. Sem motoristas, não há mobilidade operacional. Sem motoristas, não há plataforma que funcione, operador que cresça ou utilizador que viaje.
Mas também é preciso dizer outra verdade, com igual seriedade:
Não basta trabalhar muito. É preciso saber se vale a pena trabalhar assim.
O setor precisa de mais consciência económica. Precisa de menos ilusão e mais cálculo. Precisa de menos aparência de faturação e mais leitura do ganho real.
Nem toda corrida compensa. Nem todo turno gera rendimento justo. Nem toda faturação representa lucro. Nem todo esforço prolongado significa progresso.
Quando se descontam combustível, manutenção, pneus, seguros, lavagens, comissões, alugueres, prestações, impostos, tempo morto e desgaste humano, a pergunta séria que cada motorista deve fazer é esta:
Quanto sobra realmente do meu trabalho?
E se essa pergunta incomoda, então ela precisa mesmo de ser feita.
O setor também precisa de maturidade coletiva. Durante demasiado tempo, alimentou-se a divisão entre colegas, o ruído, a desinformação, o desrespeito e a dificuldade em construir pensamento comum.
Isso enfraquece toda a gente.
Enquanto uns atacam os outros, o setor perde força. Enquanto se banaliza o desrespeito, perde-se dignidade. Enquanto se troca reflexão por impulso, perde-se capacidade de exigir melhor.
A mudança do setor não nascerá apenas de indignações momentâneas ou frases fortes em grupos. Nascerá quando os motoristas começarem a olhar para si próprios como profissionais que precisam de mais informação, mais organização, mais respeito mútuo e mais consciência sobre a realidade económica da atividade.
É precisamente por isso que esta carta também é um convite.
- Um convite à lucidez.
- Um convite à união com maturidade.
- Um convite à valorização da profissão.
- Um convite a parar, pensar e perceber que trabalhar no setor TVDE não pode significar aceitar tudo em silêncio.
O motorista precisa de dignidade. Precisa de previsibilidade. Precisa de compreender melhor os seus custos, os seus direitos, os seus riscos e o setor em que opera.
Precisa de deixar de viver apenas da esperança diária e começar a trabalhar também com base em leitura económica, informação rigorosa e visão de futuro.
O ProTVDE acredita que o setor só poderá melhorar quando o motorista estiver no centro da reflexão com seriedade, não como slogan, mas como realidade.
Esta carta não é contra ninguém. É a favor da verdade. É a favor da dignidade. É a favor da sustentabilidade. É a favor de um setor mais sério, mais consciente e mais justo.
A todos os motoristas TVDE, deixamos esta mensagem com convicção:
Não aceitem como normal tudo aquilo que vos enfraquece.
Não confundam faturação com lucro.
Não confundam resistência com resignação.
Não confundam movimento com progresso.
Não confundam silêncio com estabilidade.
Olhem para o vosso trabalho com respeito. Olhem para os vossos números com rigor. Olhem para o setor com espírito crítico. E olhem uns para os outros com mais maturidade.
O futuro do setor não depende apenas de leis, plataformas, operadores ou decisões externas. Também depende da consciência coletiva de quem está todos os dias na estrada.
E essa consciência precisa de crescer.
O ProTVDE continuará a estar presente com informação, análise, ferramentas e sentido de responsabilidade, porque acreditamos que um setor mais forte começa com profissionais mais conscientes, mais respeitados e mais preparados.
A estrada exige muito. Mas a dignidade profissional também exige coragem.
Com respeito institucional,
ProTVDE
Movimento Cívico Independente do setor TVDE
Nota institucional: A presente carta aberta constitui uma tomada de posição institucional do ProTVDE, Movimento Cívico Independente do setor TVDE, elaborada no exercício da sua missão cívica de informar, refletir e contribuir de forma séria, responsável e construtiva para a dignificação e sustentabilidade do setor TVDE em Portugal.
Cláusula editorial: O ProTVDE adota uma linha editorial assente na boa-fé, no interesse público, na prudência redacional, no respeito institucional e na responsabilidade comunicacional, permanecendo disponível para revisão, atualização, esclarecimento ou acolhimento de contributos relevantes que reforcem a verdade factual e a utilidade pública dos conteúdos publicados.