A todos os operadores TVDE em Portugal,
O ProTVDE, Movimento Cívico Independente do setor TVDE, dirige-vos esta carta aberta com respeito institucional, sentido de responsabilidade e plena consciência do papel decisivo que os operadores desempenham na estrutura, no funcionamento e no futuro do setor TVDE em Portugal.
Esta não é uma carta de acusação.
Também não é uma carta de conveniência.
É uma carta de realidade.
Porque o setor TVDE precisa de mais verdade, mais lucidez e mais responsabilidade em todos os seus níveis. E isso inclui, de forma inevitável, o papel dos operadores.
Os operadores TVDE não são uma peça lateral da atividade. São um dos seus eixos centrais. Entre a pressão regulatória, a intermediação das plataformas, os custos operacionais, a gestão de viaturas, a relação com os motoristas, a carga fiscal, os seguros, a manutenção, as exigências administrativas e a volatilidade do mercado, é sobre os operadores que recai uma parte significativa da organização prática do setor.
É precisamente por isso que o debate sobre o futuro do TVDE não pode ser feito ignorando a realidade empresarial de quem opera.
Mas também é por isso que os operadores têm de ser chamados, com frontalidade e seriedade, ao centro da responsabilidade setorial.
Durante demasiado tempo, o setor habituou-se a funcionar em tensão permanente.
Muitos operadores enfrentam hoje uma equação difícil, por vezes desequilibrada e, em vários casos, perigosamente próxima da insustentabilidade.
Custos crescentes, pressão sobre comissões, depreciação de frota, financiamento, combustível, energia, manutenção, seguros, responsabilidades legais, fiscalidade, gestão de pessoal, risco reputacional e instabilidade operacional compõem uma atividade que está longe de ser simples e muito longe de ser automaticamente rentável.
Operar no setor TVDE não pode significar apenas sobreviver mês a mês sem margem, sem previsibilidade e sem capacidade de estruturar o futuro.
Mas também é preciso dizer outra verdade, com igual clareza:
Não basta que os operadores enfrentem dificuldades, é necessário que respondam a essas dificuldades com responsabilidade empresarial, rigor operacional e sentido de dever para com os motoristas e o setor.
Um operador TVDE não deve limitar-se a gerir viaturas, contratos ou recebimentos.
Isso significa que o operador não pode olhar para o motorista apenas como recurso substituível nem para o setor apenas como oportunidade de encaixe imediato. Sempre que a gestão perde visão, rigor ou equilíbrio, todo o setor degrada-se com ela.
O setor precisa de operadores que compreendam três verdades essenciais.
Primeira verdade
Não existe empresa sólida num setor estruturalmente desequilibrado.
Segunda verdade
Não existe operação sustentável quando o motorista opera em permanente desgaste e fragilidade económica.
Terceira verdade
Não existe credibilidade empresarial duradoura quando se normalizam práticas improvisadas, relações opacas ou ausência de planeamento real.
A profissionalização do setor não depende apenas do Estado, das plataformas ou da legislação. Depende também da qualidade da gestão interna de quem opera.
O setor TVDE precisa de operadores mais fortes, mas também mais conscientes.
É também importante reconhecer que há operadores que procuram fazer bem, que suportam encargos elevados, que tentam manter frota, pagar obrigações, organizar equipas e continuar a operar com dignidade num ambiente instável. Essa realidade existe e merece ser reconhecida.
Mas reconhecer essa realidade não dispensa outra exigência, o setor precisa de elevar padrões.
O operador TVDE que quer durar não pode limitar-se a circular.
Tem de construir.
E tem igualmente de compreender que a sua posição no setor não é neutra. O operador está entre a pressão do mercado e a realidade concreta do motorista. Está entre as exigências da atividade e a obrigação de manter a operação viva. Está entre o presente e a necessidade de futuro.
Por isso, a responsabilidade do operador é também moral, organizacional e setorial.
Esta carta é, por isso, um convite claro.
- Um convite à lucidez empresarial.
- Um convite à responsabilidade operacional.
- Um convite à maturidade setorial.
- Um convite à valorização da gestão séria.
- Um convite à construção de um setor menos improvisado, menos frágil e mais sustentável.
O ProTVDE entende que o operador deve ser visto como parte central da solução, mas isso só acontecerá plenamente quando assumir também, com clareza, a sua parte de responsabilidade no presente estado do setor e no caminho que vier a ser seguido.
É preciso também perguntar, com honestidade:
Estamos a gerir o setor com o nível de seriedade, rigor e visão que ele exige?
Essa pergunta não é confortável. Mas é necessária.
A todos os operadores TVDE, deixamos esta mensagem com frontalidade institucional:
Não normalizem a ausência de margem.
Não normalizem a improvisação.
Não normalizem relações opacas.
Não normalizem a pressão contínua sobre quem trabalha na estrada.
Não normalizem modelos de operação que não permitem sustentabilidade real.
A profissionalização do setor começa também dentro da própria operação.
O ProTVDE continuará a defender um setor mais sério, mais previsível, mais digno e mais sustentável, onde os operadores sejam reconhecidos pelo seu papel central, mas também desafiados à altura da responsabilidade que esse papel exige.
O setor TVDE não precisa apenas de continuar a existir.
Precisa de evoluir.
E essa evolução exige gestão com verdade, responsabilidade e visão.
Com respeito institucional,
ProTVDE
Movimento Cívico Independente do setor TVDE
Nota institucional: A presente carta aberta constitui uma tomada de posição institucional do ProTVDE, Movimento Cívico Independente do setor TVDE, elaborada no exercício da sua missão cívica de informar, refletir e contribuir de forma séria, responsável e construtiva para a dignificação e sustentabilidade do setor TVDE em Portugal.
Cláusula editorial: O ProTVDE adota uma linha editorial assente na boa-fé, no interesse público, na prudência redacional, no respeito institucional e na responsabilidade comunicacional, permanecendo disponível para revisão, atualização, esclarecimento ou acolhimento de contributos relevantes que reforcem a verdade factual e a utilidade pública dos conteúdos publicados.